Olá meus queridos e queridas. Fiquei bastante doente e parei de escrever por um bom tempo. Perdi a mão... Não vai dar para sair detonando de vez, portanto peço um pouco de paciência. Minha doença é da alma e de cura quase impossível. Por pouco não a resolvi saltando do décimo nono andar do Copan ou do décimo segundo do Sobre as Ondas. Estive bem perto disso. Desilusões políticas e amorosas foram a causa de tudo. Muita decepção e abandono. Sinto-me hoje uma pessoa amargurada, atormentada por remorsos doloridos em razão de escolhas mal feitas e loucuras endiabradas. A conta chegou e veio pesada. Andei me drogando até quando o dinheiro para os remédios acabou. Agora estou sem beber, sem cheirar e sem tomar remédios para dormir. Não escrevo mais. A Lan House é luxo que me permito vez ou outra. Acabei. Talez eu consiga dar a volta por cima mas isso vai depender de um milagre. O mais provável é o salto. Sair da vida para cair de vez na gandaia. Nos últimos tempos tenho ocupado meu tempo com velhas prostitutas desdentadas e traficantes imundos que guardam sua mercadoria no rabo. Fim de raça. fim dos tempos. Tento me consolar acreditando que o planeta vai acabar antes de mim. Estamos ambos fodidos. Mas meu "deadline" está mais próximo. Olho no espelho e vejo um espectro de quem fui. Choro noites a fio por conta das porradas que dei em minhas queridas mulheres e filhos. Me arrependo de cada surto de fúria que tive no correr de todos esses anos pós adolescência. Fabiana de Barros, Carmen Silvia, Fernanda, todas elas tão queridas e todas elas vítimas do monstro em que me transformo quando fico transtornado por um ódio sem razão e sem sentido. Bati em meus filhos sem motivo algum. Gritei como um louco sem qualquer justificativa. Tento lembrar dos bons tempos para compensar mas nada me tira desse baixíssimo astral e dessa figura patética e chorosa em que me transformei. Meus raros lampejos de inteligência foram esquecidos. Nada sobrou de bom para amenizar minha monstruosa biografia. O suicídio me parece o golpe pior de egoísmo que poderia dar naqueles que ainda lembram-se de mim com algum carinho. Não tenho saída. O purgatório é minha cama no Copan e as noites insones, às vezes anestesiadas por carreiras e mais carreiras de cocaína. Meu final é triste e nem sei quanto tempo vai durar esse martírio. Não tenho nem coragem nem competência para tirar minha vida. Já tentei e só dei prejuízo aos meus. Não tenho vontade de recomeçar, mas talvez tenha. Esse texto é prova disso. Não aguento mais conviver comigo mesmo. Infelizmente não há como me divorciar de mim.
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