Canibal no ar
São Paulo definitivamente saiu do provincianismo e nestas eleições mostra ser tão cosmopolita quanto Amsterdan, Paris, Nova Iorque ou algumas das outras poucas megalópolis cosmopolíticas .


Temos agora a possibilidade de escolher votar em candidatos de todos os sexos e credos políticos. Da sexóloga Marta até a defensora declarada da legalização da maconha Soninha, passamos pela última flatulência política de Maluf, pelo conservadorismo "Opus Dei" de Geraldo Alckmin até a dupla Gilberto Kassab e Andrea Matarazzo.


Marta, quando foi prefeita, prometeu um "projeto belezura" para a cidade. Marta, casada com o Franco-Argertino Louis Favre ( que dizem que é franco-argentino porque não existe argentino franco e que recentemente comprou com seu salário de funcionário de Duda Mendonça uma casa muito bonita na praia de Iporanga, em Guarujá), não se deu muito bem quando tentou aplicar o tal projeto belezura em seu próprio rosto, que era muito belo quando ela era comentarista da Globo. " Plastic Disasters" são irreverssíveis.


Quem embelezou São Paulo mesmo foi a dupla Kassab/Matarazzo, contrariando marreteiros, donos de empresas de outdoors e muitas "máfias" que se achavam donas de São Paulo. São odiados pelos camelôs mas quem anda pelo centro tem a nítida impressão de que a cidade está muito melhor. Andrea Matarazzo virou o "Xerife" que pôs ordem na casa, peitando poderosos dos jardins, da periferia e do centrão, colocando blocos de cimento em estabelecimentos mafiosos considerados inatacáveis.Quase conseguiram acabar com a "cracolância".


Geraldinho Alckmin é ligado à Opus Dei, uma entidade católica conservadora, acusada de fazer lavagem cerebral para aliciar adolescentes de pouca renda, mas foi ótimo auxiliar de Mario Covas quando foi seu vice no governo de nosso estado e comandou um salutar processo de privatização das estatais de São Paulo, sem nunca ter sido acusado de qualquer irregularidade. Paulo Maluf representa uma política tão ultrapassada quanto aquela de triste lembrança dos tempos do aerotrem de Levi Fidelix, do êeiêemael e outros tipos excêntricos e caricatos tais como o "Meu nome é Enéas" ou Afanásio Jazadi, que quis mandar prender nossa querida Soninha por ela ter feito "apologia aos maconheiros" quando ela defendeu uma salutar política de legalização da droga. Todo mundo sabe que é mais fácil comprar qualquer substância proibida do que as controladas. Basta tentar comprar uma caixa de Lexotan, que precisa de receita médica e apresentação de identidade na farmácia ou uma trouxinha de maconha, vendida em qualquer esquina para quem quiser e a qualquer hora, para comprovar a tese de que a proibição só cria dificuldades para vender facilidades.


A nova cidade de São Paulo hoje é palco da maior parada gay do mundo. Tem a Virada Cultural que a credencia a ser parte integrante da diversidade organizada que livra o mundo do lixo político que nos roubou e atormentou por tantos anos. Qualquer apresentação cultural de qualidade do planeta tem São Paulo em seus roteiros. Muita água ainda vai rolar debaixo da ponte até o dia das eleições e é capaz de nós, que éramos parte de "minorias", termos surpresas bastante agradáveis em 2008.


Geraldo Anhaia Mello


colunadocanibal@gmail.com
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